Desenvolve tecnologia social e promove a produção agroecológica, integrada e sustentável para manter a terra viva.
O programa de Produção Agroecológica Integrada Sustentável (PAIS) está sendo implantado em Guarantã do Norte–MT, através de uma parceria firmada entre os bancos estatais - Banco do Brasil e Banco Nacional do Desenvolvimento Sustentável (BNDS), juntamente com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA).
O técnico em agroecologia, Felipe Lechinski, 26 anos, é um dos responsáveis pelas implantações das unidades e disse que o objetivo principal do PAIS é garantir a segurança alimentar onde é implantado o sistema. Tanto que, para implantação do Projeto, está previsto apenas a produção de um galinheiro com dez galinhas e a plantio em volta do galinheiro dos três primeiros canteiros.
Segundo Felipe, após os canteiros, existe um espaço chamado agroecológico, onde são introduzidas outras culturas de maior porte que exigem mais espaço como, por exemplo, milho, feijão, mandioca, abóbora e árvores frutíferas. Lembra ainda que, este espaço deve primar por uma maior diversificação possível para proporcionar à família uma dieta nutricional rica e uma maior variedade de alimentos. Ele ressalta que esses alimentos são produzidos de forma natural.
O PAIS permite, a partir do momento que a família tem as suas necessidades abastecidas, a expansão da produção. Além dos três canteiros em torno do galinheiro, outros seis poderão ser plantados, desde que o espaço tenha sido previamente destinado já no início do projeto e, depois, todo o excedente de produção passa a ser comercializado.
“O foco da comercialização é merenda escolar e abastecimento das feiras. Com o objetivo de fortalecer a relação da venda do produtor diretamente para o consumidor. Evitando os atravessadores”, comentou Lechinski.
Disse ainda que a lógica de lucratividade convencional do mercado é de quem está nas “pontas”. Ou seja, quem vende os insumos [venenos] e quem revende a produção. Assim, o pequeno agricultor, que está no meio dessa lógica, fica com uma fatia muito pequena do produto que ele gera. Com isso, o PAIS têm o objetivo de cortar as “pontas”. Primeiro, é a venda dos insumos [venenos] porque o projeto é agroecológico, incentivando o produtor a priorizar os insumos internos da propriedade, fazendo a reciclagem dos nutrientes existentes no terreno, para manter a fertilidade do solo. E segundo, cortar os atravessadores criando estratégias para realizar as vendas diretas, assim, o produtor fica com todo o lucro gerado com a produtividade.
Já, para Victor Roger Deonísio da Silva, 24 anos, técnico agropecuário e também responsável pelas implantações dos PAIS no município diz que “o programa tem como objetivo incentivar a agricultura familiar e manter a família no campo. Porque há um êxodo rural muito grande com o desenvolvimento, principalmente da juventude”.
Ao todo, 15 PAIS serão implantados no município com o apoio e suporte das escolas municipais rurais.
Em Guarantã do Norte, os produtores beneficiados pelo PAIS foram selecionados através da condição de suas áreas. O programa tinha como exigência mínina: meio hectare, terreno plano e lotes legalizados pelo INCRA.
Todas as despesas financeiras geradas pela implantação são contempladas pelo programa. Cada produtor ou produtora selecionado(a) recebeu um kit contendo (caixa d água, tela, madeira, semente, mudas, dez galinhas, canos para irrigação etc..).
Na primeira semana de implantação, os alunos das escolas rurais do município acompanharam a implantação dos PAIS com orientação pedagógica, teórica e técnica e, agora, com o conhecimento adquirido, na segunda semana, orientarão e executarão as próximas implantações, sempre com apoio e supervisão.
Os técnicos responsáveis pelas implantações disseram ainda que os produtores que não foram contemplados com o financiamento do PAIS e queiram implantá-lo na propriedade poderão introduzir o projeto a custo baixo, aproximadamente seis mil reais. Afinal. Após as unidades serem implantadas, o programa trabalhará com outros eixos de ação, como comercialização e crédito rural.
O coordenador da escola municipal Santa Ana (educação do campo), Pedro Paulo Borré, foi um dos beneficiados do programa e disse que “falta muito nos dias atuais a ideia do fomento, ou seja, o agricultor está desacreditado. Tantas linhas de créditos surgiram, que ele [agricultor] pega o dinheiro sem planejar a cadeia produtiva e não sabe onde aplicar o recurso. Então a nossa ideia é fazer o PAIS funcionar com todas essas tecnologias. Inclusive existem algumas coisas que iremos escrever para inserir no projeto, isso facilitará ainda mais, diminuindo os custos. Vamos ajudar a desenvolver essa tecnologia social”.

Bom dia a todos.
ResponderExcluirMuito bem dito, senhor PPB, o pequeno produtor rural, quer o tal fomento, não para fazer sua propriedade ser produtiva, muitos, repito muitos, querem para aumentar suas terras. Esquecendo por exemplo, de fatos concretos que ocorrem em estados, como RS, onde pequenas propriedades tem uma faturamento muito alto, devido a sua alta produtividade, as ações tem que ocorrerem de forma a dar tal suporte ao produtor, por que o mesmo nao tem culpa, aprender somente a arar a terra, a questão está na administração dos recursos.
Diretamente do Parlatorio. Obrigado.